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Sangue é uma substância nobre, responsável pelo transporte do principal combustível de nosso organismo, o oxigênio. Apesar das inúmeras tentativas de se criar um substituto, ainda não pode ser produzido industrialmente. Diariamente, milhares de pessoas precisam de sangue. Sem sangue, a saúde entra em colapso. Não é tarefa fácil manter os estoques. Por isso, cabe a cada um de nós pensar de que maneira um gesto espontâneo como esse pode mudar para sempre a vida de alguém.

Pessoas saudáveis podem e devem doar. Lembre-se: pode ser que um dia alguma pessoa de quem você goste muito (parente, amigo) venha a precisar de sangue. Inclusive você mesmo!

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Grupo Sanguíneo - ABO - INGOH - Instituto Goiano de Oncologia e HematologiaINGOH - Instituto Goiano de Oncologia e Hematologia
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Grupo Sanguíneo - ABO

O sistema ABO é representado pelos quatro grandes grupos de sangue (O, A, B e AB).  Os genes A e B são codominantes, ou seja, pode-se ter A e B ao mesmo tempo, A apenas, B apenas, ou nenhum deles (tipo O). A distribuição na população depende das origens étnicas. Na verdade, estes grupos são resultados da adição de carboidratos ao um antígeno chamado de “antígeno H”. O gene ABO é na verdade uma enzima (glicosiltransferase) que adiciona moléculas de açúcar ao antígeno H. No tipo O, a enzima não é capaz de adicionar carboidrato ao antígeno H e na verdade significa “zero” e não a letra “O” como acabou sendo conhecido.

- O antígeno H é codificado em outro gene (gene FUT1 que codifica uma fucosiltransferase) e como é necessário para gerar o fenótipo A, B ou AB, quando há algum comprometimento do H, o fenótipo acaba podendo ser interpretado como O. Pacientes com alterações no antígeno H ainda podem produzir anticorpos contra o sangue transfundido tipo O, que tem o antígeno H, mas não tem a adição de açúcar. Esta situação costuma ser detectada na prova cruzada, que é rotineiramente utilizada nos serviços de hemoterapia, antes da transfusão. Exemplo desta situação raríssima ocorre quando o antígeno H tem sua atividade completamente comprometida, como no fenótipo Bombai. Este fenótipo é encontrado quase que exclusivamente na Índia e os portadores só podem receber sangue de pessoas com o mesmo fenótipo, que, em geral, são parentes.

- Outra situação interessante é a aquisição de fenótipo B por pacientes com genótipo A1. Nestes casos, algumas bactérias, comuns no trato gastrointestinal, podem estar aumentadas de forma patológica gravíssima, como pode ocorrer em um tumor com necrose (morte tecidual) ou na obstrução intestinal. Esse aumento libera uma enzima que converte o tipo A em tipo B. Estes pacientes não devem ser transfundidos como se fossem do grupo B, já que apresentam o anticorpo anti-B e podem destruir as células transfundidas. No entanto esse anticorpo não reage com as células do próprio corpo.

O sistema ABO também é definido no banco de sangue, pela presença de anticorpos que ocorrem naturalmente, ou seja, não há necessidade de exposição prévia ao sangue incompatível para que os anticorpos sejam formados. Estes anticorpos são chamados também de isohemaglutininas e são direcionados aos antígenos ausentes no indivíduo (A ou B). Para que se tenha certeza do tipo sanguíneo é necessário que se realize a pesquisa do antígeno A e B e dos anticorpos anti-A e anti-B.

Nos casos onde não se encontra a associação do antígeno ABO e do anticorpo ABO esperado, devem ser consideradas as seguintes situações:

- ABO fraco, parece ter tipo O no teste do antígeno, mas não tem ambos os anticorpos (anti-A e anti-B)

- Paciente submetido a transplante de medula alogênico de um doador ABO diferente

- Imunodeficiência onde o paciente não produz o anticorpo esperado

- Gêmeos fraternos, quando há circulação de hemácias, com indução de tolerância e não formação do anticorpo esperado.

Quer ler também sobre os grupos sanguíneos Rh? clique aqui. 

Referências:

- FUNG M, GROSSMAN BJ, HILLYER CD, et al. (Eds). Technical Manual, 18th edition, AABB Press, Bethesda, MD 2014.

- GENEBRA. Organização Mundial de Saúde. O Uso clínico do Sangue. (disponível em: http://www.who.int/bloodsafety/clinical_use/en/Module_P.pdf?ua=1, visitado em dezembro de 2016)

- UHL L, Silvergleid AJ (Ed),  Tirnauer JS(Ed). Red blood cell antigens and antibodies. In: UpToDate, Post TW (Ed), UpToDate, Waltham, MA. (Visitado em dezembro, 2016.)

- OMS. Site da Organização Mundial de Saúde: http://www.who.int/bloodsafety/en/