Câncer de mama hereditário – o que sabemos?

Estima-se um total de 66.280 casos novos de câncer de mama, no Brasil, para 2020, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para o estado de Goiás a estimativa é de que serão 1.620
novos casos, neste ano.

O câncer de mama é uma neoplasia maligna com alta prevalência entre as mulheres e ocupa o primeiro lugar em incidência de novos casos de câncer, à exceção de câncer de pele não melanoma. Em sua etiologia, o câncer de mama pode ser de origem esporádica (70%) e de origem heredofamiliar (30%). Aqueles de origem esporádica têm relação direta com o ambiente, por exemplo, radiação ionizante, estilo de vida, ingesta de gorduras saturadas, uso inadequado de hormônios. Quanto aos cânceres de origem heredofamiliar (30%) há uma predisposição herdada para o desenvolvimento de determinados tumores.

A herança monogênica (de um único gene), como por exemplo os genes BRCA1 e BRCA2, está relacionada a 10% dos casos. Estes genes podem ter alta ou moderada penetrância, ou seja, todos os indivíduos que herdam o gene com determinada mutação teriam uma maior ou menor probabilidade de desenvolver uma doença. Os outros 20% estariam relacionados a herança poligênica, ligada a vários genes, e que podem ou não ser influenciados pelo ambiente.

Os genes BRCA1 e BRCA2 são de longe os mais conhecidos, principalmente pela polêmica da mastectomia redutora de risco realizada pela atriz, Angelina Jolie. Polêmica porque eles, quando estão mutados, realmente conferem um risco aumentado para câncer de mama e ovário, principalmente. No entanto, medidas de diminuição de risco de câncer podem ser adotadas por estas pacientes, além de também ter medicamentos que agem na redução deste risco.

A cirurgia redutora de risco, tanto a mastectomia bilateral (retirada das mamas), quanto a salpingo-ooforectomia bilateral (retirada de trompas e ovários), podem ser realizadas baseando-se em testes genéticos de predisposição hereditária ao câncer, histórico familiar e histórico prévio de ressecção de lesões atípicas.

A cirurgia deve ser indicada em casos específicos e em pacientes que desejam este procedimento como praticamente a única alternativa para diminuição de risco.

Texto publicado no Jornal Diário da Manhã, em 27 de outubro de 2020.

Deidimar Abreu é mastologista do INGOH e primeira secretária na Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Goiás.

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