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Hanseníase ainda assombra brasileiros

Elaborado por:
Dra. Mireille Guimarães Vaz de Campos
Hanseníase ainda assombra brasileiros  

Você sabia que o Brasil é o segundo lugar em casos de hanseníase no mundo, ficando atrás apenas da Índia? São 30.000 casos novos por ano! A triste notícia é que o diagnóstico em  menores de 15 anos ainda é bem alto, principalmente no Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará e Rondônia. O fato de crianças terem a doença revela que ainda há transmissão.

Lepra (como a hanseníase é conhecida) é uma doença infecciosa, causada pelo Mycobacterium leprae, que envolve a pele e nervos periféricos. É mais comum em homens que em mulheres (relação 1,5:1)

O contágio, apesar de não completamente compreendido, é por via respiratória e a doença, na verdade, não é muito transmissível. O problema é que pode ficar escondida por anos, o que aumenta a chance dos contatos próximos a adquirirem.

O desenvolvimento da doença, de fato, depende de vários fatores de risco, como:

- contato próximo com paciente portadores de hanseníase ainda não tratados,

- tipo de hanseníase que o paciente contactante tem (forma multibacilar ou palcibacilar),

- contato com animais como o tatu,

- idade,

- influências genéticas,

- estado de imunossupressão, como em pacientes com doenças oncológicas e reumatológicas, além da infecção pelo HIV e em pós transplantados.

Assim o indivíduo susceptível ao M. leprae, exposto de forma suficiente para se tornar infectado desenvolve uma série de manifestações clínicas que variam de acordo com a capacidade do organismo de montar uma resposta imune adequada à infecção.

Deve-se suspeitar de Hanseníase sempre que lesões de pele e/ou aumento do tamanho do nervo, acompanhado de perda sensorial, esteja presente. É importante ficar atento aos seguintes sintomas:

- Lesão de pele mais claras que o tom da pele ou lesões avermelhadas;

- Redução na sensibilidade em manchas na pele;

- Alterações de sensibilidade (como sensação de dormência ou formigamento) em mãos e pés;

- Feridas ou queimaduras indolores nas mãos ou nos pés;

- Nódulos ou inchaço nos lóbulos das orelhas ou face;

- Nervos periféricos aumentados de tamanho.

A classificação de Madri divide a hanseníase em dois grupos: tuberculoide e virchowiano. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1988, estabeleceu critérios clínicos, considerando (1) casos paucibacilares, aqueles com até cinco lesões cutâneas e/ou um tronco nervoso acometido, e (2) casos multibacilares aqueles com mais de cinco lesões cutâneas e/ou mais de um tronco nervoso acometido. Onde o exame baciloscópico é disponível, pacientes com resultado positivo são considerados multibacilares, independentemente do número de lesões. Outra classificação importante é a de Ridley-Jopling, muito empregada em pesquisas. Ela permite uma boa diferenciação dos espectros da doença, que variam desde formas onde o organismo montou uma resposta imune robusta (forma tuberculoide ou paucibacilar), até formas onde a resposta imune é fraca e há grande proliferação do microorganismo (lforma virchoviana ou multibacilar). As categorias se correlacionam com o número de bacilos presente na derme e inclui dois tipos polares, estáveis e mutuamente excludentes:

- tuberculóide (TT),

- virchovianos (VV).

O grupo dimorfo é composto por:

- dimorfo-tuberculóide (DT);

- dimorfo-dirmorfo (DD);

- dimorfo virchoviano (DV),

Já o grupo indeterminado corresponde à fase inicial, não granulomatosa da doença.

Considerando que ainda existem casos de transmissão da doença, a OMS estabeleceu uma Estratégia Global para Hanseníase para 2016-2020, baseada na detecção precoce e no tratamento imediato. O objetivo é evitar as incapacidades tão temidas nessa doença e que ainda nos assombram nos filmes e documentários sobre a antiguidade. Apesar da vacina BCG (sim, a mesma que previne tuberculose) proteger parcialmente, a grande estratégia é tratar todo mundo que tiver a doença e eliminá-la de vez. Há 3 décadas, com o uso de antibióticos por tempo prolongado (6-12 meses), todos os leprosários foram fechados e, hoje, a hanseníase é considerada uma doença que pode ser curada.

Não tenha preconceito, se aparecer uma mancha na pele (em geral mais clara que a pele ou avermelhada) e, principalmente, se essa mancha tiver perda de sensibilidade, procure um médico.

 

 

Referências:

- LASTORIA JC, ABREU MAMM. Hanseníase: diagnóstico e tratamento. Diagn Tratamento. 2012;17(4):173-9.

- SCOLLARD D, Stryjewska B. Epidemiology, microbiology, clinical manifestations, and diagnosis of leprosy. In: UpToDate, Post TW (Ed), UpToDate, Waltham, MA. (Visitado em fevereiro, 2017).

- Organização Mundial de Saúde. Estratégia Global para Hanseníase 2016-2020. Aceleração rumo a um mundo sem hanseníase. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/208824/8/9789290225201-Portuguese.pdf)

- BRASIL. Ministério da Saúde. Site sobre hanseníase. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/hanseniase.