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Linfoma: Hodgkin e não-Hodgkin

Elaborado por:
Dra. Mireille Guimarães Vaz de Campos
Linfoma: Hodgkin e não-Hodgkin  

O sangue é formado por células vermelhas, plaquetas e células brancas. As células brancas tem como principais representantes os neutrófilos e os linfócitos. Os neutrófilos são os soldados que estão na primeira linha de defesa contra os microrganismos. Já os linfócitos são extremamente importantes no refinamento da proteção do organismo. São os soldados de elite e o serviço de inteligência de nossas forças armadas. São os linfócitos também que são responsáveis pelo estabelecimento da memória imunológica, que é a capacidade que nosso organismo tem de reconhecer microorganismos que já entramos em contato e eliminá-los com maior facilidade em um segundo contato.

Linfócitos nascem na medula óssea. Após o nascimento começam a se dividir e se diferenciar. Linfócitos B são principalmente responsáveis pela produção de anticorpos e Linfócitos T pela memória imunológica. A maturação dos linfócitos B ocorre na medula óssea e nos linfonodos e dos linfócitos T na medula óssea e no timo.

O câncer que compromete os linfócitos se chama linfoma e normalmente forma massa nos tecidos linfoides (ínguas). Outra forma de chamar este grupo de doença é usar o termo linfoproliferativa (proliferavam de linfócitos). Alguns tipos de leucemia também comprometem linfócitos, são chamadas de leucemia linfoide aguda e leucemia linfoide crônica.

Dependendo de qual tipo de linfócito é comprometido e em qual momento de sua maturação ele está, classificamos o tipo de linfoma. A classificação é importante porque nos permite entender melhor o comportamento da doença.

Um dos linfomas mais conhecidos é a Doença de Hodgkin e as células Reed-Sternberg (RS), grandes e multinucleadas, são específicas deste tipo de neoplasia. As células RS foram mencionadas pela primeira vez em 1900 e, a partir daí, os linfomas, que eram bem menos entendidos naquela época, passaram a ser classificados em:

- Hodgkin, que tinham a RS,

- Não-Hodgkin, que eram todos aqueles que não tinham a RS.

Sabemos atualmente que existem mais de 50 tipos de linfoma. A OMS (Organização Mundial de Saúde), na sua edição de 2016, não usa mais o termo "Linfoma não Hodgkin", optando por descrever os subtipos de linfoma como vemos abaixo:

- Linfoma de Hodgkin

- Neoplasia de células B maduras (provenientes de linfócitos B),

- Neoplasia de células T maduras (provenientes de linfócitos T)

- Doença linfoproliferativa pós transplante

Cada item é subclassificado em vários subtipos de linfoma.

Apesar de suas limitações, do ponto de vista clínico, os linfomas não Hodgkin são classificados em:

- Muito agressivos (linfoma de Burkitt, linfoma linfoblástico), que, se não tratados, crescem de forma muito rápida (dias a semanas) e respondem bem ao tratamento quimioterápico, que tem objetivo curativo.

- Agressivos (linfoma difuso de grandes células B, ), que tem crescimento rápido (meses) e respondem bem à quimioterapia, podendo ser curados.

- Indolentes (linfoma folicular, linfoma de pequenas células), que crescem lentamente, por anos. O objetivo do tratamento aqui é paliativo, já que não teremos cura. Mas teremos aumento na sobrevida se identificado e tratado no momento correto. Esse momento de tratamento nem sempre será exatamente quando o linfoma indolente for diagnosticado.

Lembre-se, o seu médico é sempre a melhor fonte de informação para o seu caso específico.