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Entenda como o cromossomo Philadelphia provoca a leucemia mieloide crônica (LMC)

Elaborado por:
Dra. Mireille Guimarães Vaz de Campos
Entenda como o cromossomo Philadelphia provoca a leucemia mieloide crônica (LMC)  

Atendendo a pedidos, hoje no #INGOHexplica vamos entender como o cromossomo Philadelphia provoca a leucemia mieloide crônica (LMC).

Como já explicamos na semana passada, a LMC é uma doença que se origina na célula tronco hematopoética, favorecendo a diferenciação desta célula para o setor mieloide e aumentando a quantidade de leucócitos, principalmente de neutrófilos maduros (mas também de imaturos), no sangue periférico. Ou seja, no hemograma, o principal indicativo de LMC é a leucocitose (aumento do número de leucócitos), às custas de neutrófilos. Mais do que leucocitose em um exame isolado, que pode ser indício de uma infecção, por exemplo, a LMC promove um aumento progressivo da quantidade dos neutrófilos, um processo que pode demorar anos para ser detectado. O cromossomo Philadelphia foi descoberto na década de 60 e é identificado como o evento genético (que não é hereditário) que causa a LMC.

Para uma melhor compreensão de como isso acontece, é necessário entender o dogma central da biologia molecular, que explica como que nosso material genético (DNA) consegue se transformar em nosso fenótipo. Fenótipo (aparência) é a manifestação visível ou detectável de um genótipo (DNA), por exemplo, a cor dos olhos e da pele. Células do músculo, do cérebro e da pele de uma mesma pessoa tem o mesmo conteúdo de DNA, mas aparentam ser células diferentes. Segundo o Dogma Central da Biologia Molecular, postulado em 1958, o fluxo de informações do código genético segue sempre uma sequência onde um ácido nucleico pode formar uma proteína, entretanto o contrário não é possível. Segundo esse dogma, o fluxo da informação genética segue sempre o sentido DNA - RNA - Proteínas. Vários elementos conduzem a célula para seus diferentes fenótipos.

O ser humano tem 46 cromossomos, 22 pares de cromossomos e, além disso, dois X (na mulher) ou um X e um Y (no homem). O Cromossomo Philadelphia (Ph) é uma anomalia genética que resulta de uma translocação (troca) recíproca entre os braços longos dos cromossomos 9 e 22 e esse evento leva à formação de um novo gene que associa (gruda) o gene BCR com o proto-oncogene ABL. Esse novo gene de fusão é chamado de BCR-ABL.O BCR-ABL que está no DNA é convertido em um RNA de fusão e, então, em uma proteína de fusão bcr-abl. Esta proteína anômala, que é uma proteína quinase, ativa vários eventos intracelulares, aumentando a proliferação da célula, alterando sua adesão e permitindo que esta célula anômala tenha vantagens proliferativas em relação às células normais que não apresentam o cromossomo Ph, isso leva a uma proliferação da linhagem mieloide, principalmente dos neutrófilos. Além disso, o cromossomo Ph através de seu produto, a proteína bcr-abl, permite que a célula entre em divisão de forma desordenada e produza descendentes com defeitos no DNA, o que faz com que, à medida que a doença evolua, tenha maior predisposição para se transformar em uma leucemia aguda, situação mais grave e com risco iminente de vida. A introdução, no tratamento da LMC, de moléculas que inibem a atividade tirosino-quinase do bcr-abl permitiu um amplo controle da doença e, geralmente, evita a transformação em leucemia aguda.

Se você tem leucemia, apenas o médico especialista, que é o hematologista, pode te dizer qual é o tipo e como o seu caso se comporta. Se tem dúvida, não deixe de conversar com o seu médico.

 

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Diretor Técnico: Dr Yuri Vasconcelos Pinheiro, PhD, Hematologista e Hemoterapeuta, CRM-GO 10.219/RQE 4883.