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Fertilidade em pacientes oncológicos

Elaborado por:
Dra. Mireille Guimarães Vaz de Campos
Fertilidade em pacientes oncológicos  

Hoje no #INGOHexplica, temos o texto sobre fertilidade em pacientes oncológicos escrito por uma convidada que é especialista no assunto

Habitualmente inicio meus atendimentos com “bom dia, o que eu posso fazer por você?”

“Dra, descobri um câncer e meu médico (oncologista) pediu que eu viesse falar com você assim que possível”.

Mas por que a urgência em procurar um especialista em reprodução assistida nesse momento de emoções tão conturbadas?

O diagnóstico de câncer impõe a realização de inúmeros e desgastantes exames e o rápido início do tratamento é imprescindível para que um bom resultado seja alcançado. Mas antes de iniciar o tratamento de quimioterapia é necessário refletir sobre a vontade pessoal de gerar filhos. Nesse momento, precisa-se meditar sobre o futuro.   “Quando poderei ter filhos? Quero ter filhos? Ou quero ter mais filhos? E o meu parceiro, o que ele também pensa sobre isso?”

A quimioterapia (QT) tem uma ação negativa importante sobre a quantidade e a qualidade dos gametas (espermatozóides e óvulos) e estas questões precisam ser feitas e respondidas, preferencialmente, antes do início do tratamento. Dependendo do quimioterápico e de sua dose, as mulheres podem apresentar redução da reserva ovariana (número de óvulos) e até insuficiência ovariana precoce (“menopausa precoce”). É sempre válido lembrar que nós mulheres já nascemos com uma quantidade pré-determinada de óvulos não existindo medicação para a produção de novos óvulos.

Uma solução atualmente disponível para esta situação é a tecnologia de vitrificação oocitária (congelamento de óvulos) para preservação da fertilidade feminina. Cerca de 90% dos óvulos resiste ao congelamento e ao descongelamento, e a taxa de gravidez depende da quantidade de óvulos congelados e da idade da paciente (10 a 75%, veja a tabela abaixo).

http://www.ipgo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/tabela-congelamento-de-%C3%B3vulos.jpg

 

 

O tratamento é rápido (13-15 dias), pode ser iniciado em qualquer dia do ciclo, sendo possível inclusive, realizar dois estímulos no mesmo ciclo menstrual para conseguir maior número de óvulos (“duplo estímulo”). Dessa forma, o congelamento de óvulos não atrasará o tratamento do câncer (quimioterapia).

“E quando poderei utilizar meus óvulos congelados?”

O oncologista aconselhará o momento mais adequado e seguro para a gravidez. Os óvulos podem permanecer congelados por vários anos, mantendo a mesma taxa de sucesso.

“Mas Dra, o risco de câncer aumenta com esses hormônios?”

É preciso esclarecer que não existem evidências de que o estímulo do ovário com os hormônios indutores aumente a incidência de câncer ou piore os resultados do tratamento quimioterápico. O congelamento de óvulos faz parte das recomendações de preservação de fertilidade da ASRM (Associação Americana de Medicina Reprodutiva) e ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica).

Converse com seu médico oncologista, e se possível procure um especialista em infertilidade. Envolva seu parceiro no tratamento, é importante que ambos entendam a situação e as soluções disponíveis.