Inteligência Artificial no combate à Covid-19

Há alguns anos, quando se falava em tecnologia e Inteligência Artificial (IA), muitos imaginavam cenários hollywoodianos, com carros voadores e robôs, que podiam desempenhar atividades domésticas, mas também se rebelarem contra os humanos. O que poucos imaginavam, no entanto, é que, em 2020, a IA teria uma atuação protagonista para salvar a espécie humana de uma pandemia viral, como a Covid-19.

A inovação passou a ser uma das armas de combate ao novo coronavírus, sendo que, em cinco meses, mais de 5,5 milhões de pessoas no mundo foram acometidas, com quase 350 mil óbitos. Com tamanho poder de transmissão, alguns países optaram por investir na produção de algoritmos que pudessem colaborar para diversos setores assistenciais.

Assim como o surgimento do vírus se deu no Oriente, de lá, também, apareceram os primeiros exemplos de automação que deram celeridade ao tratamento e mais proteção ao ser humano. Uma das frentes de atuação que podemos citar ocorreu na própria península de Hubei, epicentro mundial da doença. Lá, imagens de tomografia computadorizada têm sido analisadas por IA para ajudar no diagnóstico inicial da Covid-19. Com leitura convencional, a interpretação do exame leva em torno de 15 minutos; quando automatizada, apenas 10 segundos.

A IA também tem sido utilizada em robôs que ajudam a examinar o paciente com suspeita da doença e a entregar medicamentos para aqueles que já têm diagnóstico concluso. Com o mesmo objetivo de evitar contato direto do ser humano com áreas infectadas, aparelhos autônomos estão sendo usados para limpar o metrô de Hong Kong. No ocidente, nota-se um esforço contínuo para treinar máquinas que possam cruzar experiências bem-sucedidas, em busca do tratamento ideal contra a Covid-19. Suíça e Canadá, por exemplo, têm desenvolvido algoritmos que fazem o diagnóstico desta doença a partir do tipo de tosse apresentada pelo enfermo.

Apesar de ainda termos muito para evoluir, a inovação tem ganhado mais espaço no Brasil, evidenciado pelo surgimento de inúmeras startups com atuação em saúde (HealthTechs), com incentivos de diversos órgãos para elaborar soluções que contribuam para o combate à doença. Diante disso, fica a conclusão de que o desenvolvimento da IA não tem o objetivo de substituir o homem. Trata-se da possibilidade de aumentar o potencial humano, contribuindo para uma inteligência aumentada que promova a simbiose homem-máquina.

Mayler Olombrada – médico cardiologista e gestor de inovação do INGOH

Texto publicado no Site A Redação, em 28 de maio de 2020

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